Hoje eu tive um bom dia. Nada em especial no dia de hoje me lembrou você. A não ser, é claro, que tudo me lembra você. Quando me sinto feliz ou quando algo engraçado acontece e em noventa por cento das piadas inteligentes, eu penso em dividir com você. Mas quando pego o celular, seu nome não está nos mais acessados e me lembro: não posso mais dividir as coisas boas com você.
Nem as ruins. Não posso mais gritar com você ou ouvir seus gritos. Não posso mais xingar você, discutir, me descabelar. Nem dizer calmamente que estou indo embora. Não posso ir embora porque você me descartou. Me jogou fora. E olhando para trás hoje, vi que você fez isso com muitas outras pessoas ao longo do caminho e eu não percebi a época.
Hoje eu sou mais uma dessas pessoas. E posso ver você dizendo para as pessoas novas que você gostava demais de mim, mas eu mudei e você não pode fazer nada. Sim, há rancor nessas palavras. Mas há muito mais medo. E se elas são ditas aqui é porque sei que nunca, jamais serão lidas.
Eu não mudei. Eu cansei. Cansei de ver você partido ao meio por minha causa, inúmeras vezes. Cansei de ser agredida sem entender porque. Cansei de ser colocada ou num altar ou no limbo.
Queria sair pra beber com você, sentar numa calçada, rir de alguma música. Faz pouco tempo, tivemos aquela semana ótima e naquela semana tivemos isso. Você se lembra? Não, eu sei que não.
Eu fico aqui, remoendo, lembrando, curtindo esse desamor novo que, perceba a surpresa!, foi você quem me trouxe. Queria te contar do vazio doce que é dormir com alguém sem amor nenhum, de como isso me liberta. Queria ouvir você tirando onda como você sempre disse que faria, mas não fez de jeito nenhum quando aconteceu afinal.
Nas perguntas que me faço sobre tudo ser diferente "se", me pergunto quanto seria diferente se eu tivesse ido dormir com ele naquela primeira noite, se você tivesse ouvido os meus gemidos e minhas risadas e tivesse visto todas as marcas que tenho hoje na manhã seguinte, enquanto eu prepararia café pra quatro com um sorriso de alienação no rosto. Ia acabar com essa tua ideia de amor romântico, de platonismo? Ou só ia te mostrar que a bagunça não é minha, mas também sua? Vejo esse teu ódio imenso, essa tua impaciência como uma mistura que não suporta nem o meu move on "vazio e triste", como você o descreveu, nem a minha existência feliz sem você em órbita.
Sábado faz um mês que não fumo, ainda que a vontade seja grande demais. Você quer me ver feliz para não sentir culpa. Eu posso te dar essa felicidade, tão grande que chegaria até você mesmo com as barreiras todas que você impôs. Mas você pode se livrar da culpa?
Te amo ainda assim, ainda daqui.
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